Van Gogh sem fronteiras: empreendedorismo, sucesso e arte





04.07.2019



Este ano estou bastante inclinado a usar a vida de Vincent van Gogh em minhas palestras e estudos. Já falei sobre propósito de carreira usando van Gogh, já apresentei uma pesquisa num Congresso Junguiano, analisando alguns simbolismos da vida de van Gogh e, por fim, no último fim de semana, nos dias 29 e 30 de Junho de 2019, falei sobre empreendedorismo e sucesso utilizando paralelismos com a vida de van Gogh.





Esta palestra ocorreu no maior evento de Psicologia e Empreendedorismo do Brasil, o Psicologia sem Fronteiras, idealizado pelo psicólogo e empreendedor Bruno Rodrigues! Foram mais de 300 psicólogos e psicólogas, demonstrando muita animação e envolvimento com o evento.


Quanto à minha palestra, fiquei bem feliz com o feedback! Algumas frases que me falaram: "você mostrou em sua palestra grande sensibilidade terapêutica", "você me botou apara pensar...", "eu já gostava de van Gogh, agora amo", "a forma como você relativizou o sucesso foi bastante diferente do que vemos por aí", "nossa, que diferente a história de van Gogh", dentre outras.


Mas por que essa minha "fixação" em van Gogh?


Responder dizendo que é porque eu gosto da obra dele é muito pouco. A verdade é que falar sobre sucesso, carreira, saúde emocional, etc., sempre da mesma maneira, cartesiana, previsível, está cada vez mais chato.


Queremos ouvir histórias que se conectem com a nossa alma, que se conectem com a nossa totalidade do ser!


Outro dia vi um trecho de uma palestra no YouTube, era um executivo contando sua história de carreira. Desculpe, mas é muito chato! Era algo como: "Eu era estagiário, e sempre fui muito proativo, com isso fui chamando atenção dos meus gestores. Depois assumi cargo X, depois cargo Y...".


Se escutarmos 300 líderes contando suas histórias, quase sempre elas seguirão um roteiro minimamente previsível - chato! Queremos algo diferente. É claro que existem histórias diferenciadas, especialmente de pessoas que a despeito de todas as dificuldades financeiras, sociais e estruturais, conseguiram galgar patamares diferenciados de seu contexto social inicial. Isso sempre emociona e sempre nos toca. Aquela história típica de um estagiário que virou presidente, já não emociona tanto (como emocionava no passado). Por alguma razão caiu no lugar comum.


Inovar - como tanto pregam as empresas - é sair desse lugar comum, mas usando exemplos reais de coisas que nos rodeiam o tempo todo e atemporalmente. São tantos feitos da humanidade, por tanta gente boa, classuda, como van Gogh, da Vinci, Michelangelo, Simone de Beauvoir, Beethoveen, Kant, Hannah Arendt, Martin Luther King, enfim, uma infinidade de pessoas que deixaram suas marcas na história, não só pelo que produziram, mas pelo que ofereceram (e ainda hoje oferecem) com suas vidas.


Não se trata do que a vida deu a eles, mas sim o que eles ofereceram à vida, e com isso conquistaram a imortalidade - tão sonhada por alguns, que ingenuamente acham que atingirão isso deformando seus rostos e corpos com intervenções cirúrgicas.


Falar sobre empreendedorismo, sucesso, inovação, criatividade e tudo mais, deveria ser acompanhado das palavras: arte, filosofia, música, sociologia... Isso é muito mais atraente (ainda que não saibamos disso) que ouvir esses mantras "empreendedorísticos" e rasos, cheios de "mindset", "think out of the box" e "be yourself" em seus conteúdos.


Em todos nós habita algo ou alguém ávido por conhecimento profundo, basta abrirmos esse espaço que o conhecimento vem. Estou seguro que em minha palestra tinham pessoas que conheciam bem a vida de van Gogh, outras que conheciam mais ou menos e outras que conheciam nada.


Em outras palavras: por que eu tenho usado van Gogh para falar sobre vários assuntos?


Porque penso que pessoas geniais e atemporais - tal como van Gogh - são capazes de apaziguar as dores contemporâneas da humanidade, e ao usar a vida dele para falar de temas prosaicos (comuns), consigo incentivar em um maior número de pessoas o interesse pela nossa história, pela nossa arte profunda, até mesmo pela intelectualidade. De alguma forma, esse é o objetivo da Solução Ativa, a empresa pela qual divulgo meu trabalho como psicólogo e palestrante, que é regida pelo mantra "transformar você para transformar seu mundo".


Grande abraço ao meu amigo Bruno Rodrigues por me dar esse espaço de compartilhar de ideias num evento tão grandioso como o Psicologia sem Fronteiras! Que venha a edição de 2020!