03.07.2017







Apesar de seu falecimento em meados do século 20, suas teorias sempre se mantiveram bastante atuais, mas voltaram à tona com força em 2008, após o lançamento do Livro Vermelho, material que era mantido em sigilo pela família até então.


A título de curiosidade, as teorias junguianas ultrapassam as clínicas de psicólogos, sendo utilizadas na construção de posicionamento de marketing das empresas ou mapeamento dos tipos psicológicos de profissionais, por meio de ferramentas como MBTI ou Disc Extended.


Especificamente o processo de análise pessoal, consiste em uma conversa mais profunda, diferente de “bate-papo”, para se buscar a compreensão dos aspectos que você não percebe em si mesmo, ou como chamamos, seu inconsciente.


Imagine que é como você ir visitar o porão de uma casa, que nunca tinha entrado antes. Chegando lá, encontra um monte de coisas, desde velharias até objetos que podem lhe ser muito úteis, e que era exatamente o que você precisava para lidar com o seu momento atual de vida.


Durante o processo é esperado que, ao conhecer esses “objetos” do seu porão, você perceba novas formas de utilizá-los, descartando aqueles que não precisa, e aproveitando os benefícios daqueles que sequer sabia que existiam.


Esse caminho é resultante das investigações que Jung fez das manifestações psíquicas, primitivas e contemporâneas, da humanidade. Pesquisou de maneira empírica, fenômenos místicos e religiosos, a fim de entender suas relações com a vida.


Ele dizia que a vida humana não deve ser conhecida somente como um amontoado orgânico e biológico. Todas as subjetividades, relações de fé, sejam elas quais forem, e padrões de comportamentos sociais, devem ser incluídos no campo de pesquisa da psicologia.


Em suma, a análise junguiana propõe a abertura de um espaço para que ocorra o seu desenvolvimento pessoal, que se dará na relação com o seu analista, respeitando todas as suas crenças, convenções, ideologias, orientação sexual e por aí vai!


É preciso deitar num divã?
Não exatamente. O divã é mais utilizado na chamada psicanálise, modelo proposto por Sigmund Freud. Contudo, alguns analistas junguianos utilizam o divã para proporcionar maior conforto ao cliente, ou até mesmo para fazer uso de técnicas de relaxamento corporal.


O que é mais importante, é a conversa olho no olho, portanto, na maior parte das vezes, as boas, velhas e confortáveis poltronas são as melhores opções, longe daquele estereótipo em que você fica deitado e seu analista atrás, fazendo anotações.


Agora, deitando num divã ou não, é fato que seu analista junguiano pedirá para você contar seus sonhos. E acredite, os sonhos podem ter vários sentidos para sua vida, mas precisam ser compreendidos sob a ótica das metáforas que eles apresentam, e não de maneira literal.


Ainda assim, se você achar isso estranho ou old fashioned, pergunte ao seu analista, tire dúvidas, entenda melhor porque eles são importantes para a sua análise. Seria muita pretensão minha explorar esse tema num único parágrafo.


E a análise dura muito?
Resposta fugaz: depende! Quem se identifica genuinamente com o processo acaba fazendo por longos períodos, afinal, a vida é sempre um vir a ser, obscuro e surpreendente. Por outro lado, algumas pessoas querem debater aspectos específicos de suas vidas, e isso pode levar a um processo mais rápido.


E se você chegou nessa parte do artigo, eu preciso te dizer algo importantíssimo: a análise junguiana não se trata de entender seus problemas passados. Como diz o nome, é uma análise! Isso consiste em olhar sua vida como um todo, passando pelas suas experiências passadas, mas especialmente, propondo novos caminhos para seu futuro.


Um grande abraço,
Rafael