Me dá Danoninho já - ele fica ainda mais saboroso quando ajuda a cuidar da mente!





16.08.2019



Em 13/08/2019 estive na Danone para fazer uma palestra sobre o cenário da saúde emocional no ambiente corporativo. A ocasião foi uma reunião do tradicional grupo de RH, CEAP, que foi realizada no escritório da Danone em São Paulo.





A sala estava cheia e o público foi extremamente participativo - o que energiza ainda mais o palestrante (este que vos escreve) e a palestra! O tema foi o "de sempre": saúde emocional no trabalho, mas com uma acentuação um pouco diferente, pois abordei ações que as empresas podem tomar para lidar de maneira mais efetiva com as questões emocionais que têm se apresentado regularmente e de maneira crescente à diversos profissionais no Brasil e no mundo.


O primeiro ponto é que precisamos eliminar de uma vez por todas o "pensamento mágico" de nossa vida, como se todos os problemas pudessem ser resolvidos de maneira simplória e rapidamente. Existe uma fala comum em algumas empresas de que "precisamos ser simples". Ser simples não elimina a necessidade de lidarmos e entendermos o complexo.


Especificamente no aspecto da saúde emocional, o que eu quero dizer é que diante de todos os estudos SÉRIOS sobre doenças emocionais, nenhum deles aponta para tratamentos que gerem curas e resultados miraculosos ou rápidos. Diante disso, já faço um apelo à você, leitor ou leitora: desconfie de qualquer post, vídeo, texto que diga que uma depressão pode ser curada com 3 sessões disso ou daquilo, ou por meio da conscientização das suas "crenças limitantes". Assuntos sérios e complexos requerem compreensão séria e complexa.


O mesmo vale para as iniciativas com relação à este tema dentro do espaço corporativo. Não adianta os RHs das empresas criarem ambientes com mesa de sinuca, ter massagem uma vez por semana, ter sessões de mindfulness uma vez por ano, que pouco ou zero efeito terá na diminuição das doenças emocionais. As empresas podem e devem fazer esses eventos, mas sem a expectativa de que gere um impacto significativo na redução de doenças emocionais.


Vamos lá. Quem cuida de câncer é um oncologista. Quem cuida do coração é um cardiologista. Quem cuida da mente (psique) é um psicólogo ou psiquiatra. Não podemos ter iniciativas que visem a qualidade de vida dos funcionários achando que isso é o suficiente para cuidar da saúde emocional. Precisamos compreender a dinâmica das doenças mentais, tais como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, síndrome de burnout, dentre outras, com a ajuda de profissionais capacitados para tal.


Penso que o mais importante a se fazer agora, por parte das empresas e de seus gestores, é comunicar, explicar, abordar profundamente as questões relacionadas a este tema, sem medo de se expor. Recentemente saiu um notícia de que o Brasil reduziu drasticamente o consumo de cigarro, um ganho que deve ser co-celebrado pelas empresas, haja visto a forte comunicação anti-tabaco feita em muitas delas. O mesmo vale para a saúde da mente: campanhas sólidas e honestas sobre o tema, visando a sensibilização significativa das pessoas.


Para ajudar na eliminação do pensamento mágico, compartilho aqui alguns estudos mais recentes sobre o tratamento de algumas doenças - e isto precisa ser divulgado nas empresas, pois apenas uma mesa de sinuca, de maneira isolada, não cura qualquer transtorno emocional:


- Síndrome de Burnout. Tratamento: mudança dos hábitos diários (atividade física, alimentação, etc.), além de fazer psicoterapia, algo concordado pela comunidade científica.

  • - Transtorno de Ansiedade. Tratamento: ansiolíticos ou antidepressivos (que também podem ter boa contribuição na remissão dos sintomas), apenas se necessários. Já se sabe que o tratamento com psicoterapia traz melhores resultados e mais sustentáveis no longo prazo (nem todos os casos se faz necessário o uso de remédios).

  • - Depressão. Tratamento: antidepressivos combinados SEMPRE com a psicoterapia. Já se sabe que a psicoterapia é capaz de mudar estruturas cerebrais no tratamento da depressão e sem o efeito colateral dos remédios. Deve-se avaliar constantemente a necessidade de uso dos remédios, em concordância entre psiquiatra e psicoterapeuta (que nem sempre são as mesmas pessoas).

A partir de informações como estas, que levam em consideração as pesquisas contemporâneas e como se pode facilitar o acesso das pessoas aos tratamentos adequados, as empresas estarão contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que são vitimadas por estas doenças.


Parabéns à Danone por promover esse espaço tão positivamente propositivo! Meus sinceros agradecimentos ao Celso Minatel da Danone por incentivar a reflexão e à todos os profissionais de RH do CEAP, que estão ativamente contribuindo para melhorar a vida das pessoas em suas empresas!


Um abraço, Rafael.