Na infância e adolescência, sempre estudei em escolas públicas, do EMEI ao antigo Ensino Médio. Talvez pelo estímulo em casa, de pai e mãe, com 6 anos eu já sabia ler... gosto que carrego até hoje. E foi nesses espaços que começou a nascer um mini-nerd, atual leitor voraz de C. G. Jung, músico amador, entusiasta de cinema europeu e mais recentemente um atrevido pintor de quadros, sem qualquer rigor técnico.


Mas o meu apreço por cultura, conhecimento, provocações instigadoras e inovações, nunca teriam se fortalecido se eu não tivesse passado pela lapidação de grandes mestres, que me acompanham até hoje, dentro de mim, em imagem, experiência ou coração.


Parte do que sou é responsabilidade deles. Ainda que, assim como a maioria de nós, eu seja um humano em formação - processo infinito - penso que o resultado até aqui foi ótimo. Considero que tenho bons valores, boa educação e que, principalmente, tenho informações, conteúdos, conhecimentos que posso compartilhar com mundo.


Não sei se o fato de também ter um pai que foi professor universitário por anos e uma irmã entrincheirada no mundo da educação,que esse é um tema que de alguma forma tem me encantado cada vez mais - estaria no meu DNA?


Mas tenho uma preocupação: antes de me voltar para o universo da Psicologia, que considero acima de tudo uma ciência para educação emocional, e não apenas promoção de saúde, tive a experiência de ter ótimos mestres nas empresas que passei: Claudio Silva, João Argento, Marcos Poldauf, Nancy Owens, Marcelo Pereira, Celso Minatel, Sara Resende, Andréia Vitoriano, Ettore Martines para citar somente alguns (torcendo para que não haja desconforto de outros tantos tão importantes quanto).


Porém, tenho uma percepção de que a arte de educar dentro das empresas vem se esvaindo. Estamos mecanizando tudo, colocando processos, teorias baseadas em dados e fatos, deixando de lado o mais gostoso da troca, que é a humanidade das relações, humanidade esta que não pode ser mensurada, quantificada ou tornada tangível.


Precisamos resgatar no mundo corporativo a arte da educação, pelo exemplo, pela experiência, pela valorização dos mais velhos - muitas vezes grandes sábios que nos recusamos a escutar. Precisamos diminuir a importância da oratória, para valorizar a "escutatória". Precisamos nos aculturar mais para deixar de sermos repetitivos, nos prendermos a discursos prontos, soníferos, pouco ou nada inspiradores. Precisamos doar, servir e colocar alma no que fazemos.


Se hoje sigo uma profissão que preenche minha alma, é porque fui beneficiado pelas experiências que todos os professores, acadêmicos e corporativos, proporcionaram para mim.


Minha forma de gratidão é replicar os conhecimentos que eles me doaram para o mundo, com minhas palestras, cursos e atendimentos psicoterapêuticos. É assim que esses mestres estarão para sempre na imortalidade: por meio de suas sabedorias atemporais.


Uma singela homenagem aos professores do dia a dia!